Não posso ouvir
O banho hoje foi demorado. As gotas de água que caiam pareciam mais pequenos cascalhos. Estou pagando o preço de continuar acreditando que essas vozes vão me dar paz em algum dia. Elas provêm de todos os lugares, das ruas, das casas vizinhas, dos grandes comércios. Quero acreditar em você e te mostrar que ainda sou firme e forte. Aquele porto seguro. Agora sou a água. Tempestade. Carregado de violência e emoções. Antes eu te enchia, agora você se enche e fica cheia de mim. Como posso me mover na tua direção se estou imerso em escuridão? Eu me arrasto e acho que ninguém deseja ser visto assim, aos trapos. Estou definhando, mas não há com que se preocupar. Ainda vou levantar e ser aquele mesmo viajante errante, intrépido e viril.








