notas avulsas de um amor que amargou
travou na garganta e desceu arrastando-se pelo esôfago. queimou o estômago e levou embora as borboletas numa onda violenta de gastrite aguda. foi algo que apenas aconteceu, sem nenhuma razão aparente. não havia um culpado; fora algo bastante natural. tão natural quanto o processo de aglutinação do sangue, que até existem meios propositais de se chegar nesse resultado, em ambos os casos; mas se descuidarmos, o mínimo que seja também, podemos ter o mesmo fim. talvez dê pra culpar o descuido, ou a falta de atenção nos dias que passavam e deixavam claro o aviso de que a estimativa de vida daquele amor prematuro só diminuía. talvez dê pra culpar os dias cheios e a pressa do tempo que acelerava e corria para o fim cada vez mais rápido; ou mesmo a vida que traçou caminhos tão diferentes e não lhes deixou nada comum aos dois que não fosse o amor que sentiam um pelo outro. talvez dê ainda para deixar uma parcela de culpa endereçada à distância, que cresceu rapidamente e convidou frieza, transformando a tal relação simples e já muito conturbada num poliamor. com tantos ingredientes externos sendo adicionados sem critério ou cuidado algum, o amor que costumava ser doce amargou na boca e se esgotou.
a boca jamais esquecera aquele terrível gosto que a morte de um amor puro lhe trouxe, mas essa é uma outra história…
r-etalho







