Era como um tapa na cara, te ver chorando outra vez. O que você fez com os conselhos? O que aconteceu com tudo o que eu te disse? De que valeu todas as ligações, as vezes que acordei só pra te ouvir reclamar das mesmas coisas? Você ignorou mais uma vez? É isso? Você me olhou e disse a-gente-não-manda-no-coração. Que porcaria de frase batida é essa? Eu quis te puxar pelo braço e dizer “Cresce, mulher! O fim do amor não é o fim do mundo!”. Como é que a gente chama essa mania de insistir no que já acabou? Como é que você sente falta do que nunca existiu? Se você disser que é o amor, eu vou querer esfregar sua cara na realidade. Vício, necessidade de aprovação, é esse o nome! Me acalmei. Te olhei nos olhos e respirei fundo. Algumas pessoas não sabem lidar com a falta de reciprocidade sentimental, preferem se humilhar pra ter ao menos a atenção. A raiva foi substituída por pena. Juro. Segurei seu rosto e respondi: É. A gente não manda no coração, mas não pode ser sempre mandado por ele. Coração não pensa. Você não pode controlar seus sentimentos, mas pode controlar suas atitudes.
— A menina e o violão.



